Crítica | A Torre Negra

“O Homem de Preto fugia pelo deserto e o Pistoleiro ia atrás”.
Com essas palavras Stephen King começa o primeiro dos sete volumes da série A Torre Negra. Embora não seja um começo tão lembrado quanto “Chamai-me Ismael”, de Moby Dick ou “Em uma toca no chão vivia um Hobbit”, de O Hobbit, as primeiras palavras da obra de King resumem perfeitamente a trama que vamos acompanhar em todos os livros. Mas embora a frase apareça na adaptação cinematográfica de A Torre Negra, o filme acaba sendo uma mistura das histórias dos livros, sem vida, que se preocupa mais em criar um universo do que contar uma história.
O roteiro e a direção de Nikolaj Arcel (O Amante da Rainha) são completamente confusos e não se preocupam em desenvolver seus personagens ao ponto de fazer com que os espectadores se importem com eles. O filme passa muito mais tempo expondo os mecanismos e regras do mundo fantástico em que a trama está inserida do que levando sua narrativa adiante, parece servir apenas como um ponto de partida — possivelmente, para o público que pode (ou não) acompanhar a vindoura série de TV que efetivamente vai adaptar os livros de King.
É uma pena ver que Arcel, que é um diretor competente, desperdiça tanto potencial narrativo quando se preocupa em fazer pirotecnias visuais que, apesar de serem muito legais de se ver, não contribuem em nada para a história que estamos acompanhando. O clímax do filme é visualmente lindo, com balas e cacos de vidro voando para todos os lados, porém, como tudo é solucionado em um piscar de olhos, deixa a sensação de que toda a trama do filme poderia ter sido resolvida bem mais rapidamente e sem tanto esforço. Que tudo o que vimos era desnecessário.
Nem mesmo o elenco de peso salva A Torre Negra da catástrofe: Elba só chega a cativar o público na reta final do filme, Taylor aparece apático, não consegue transmitir todo o deslumbramento que uma criança teria se fosse transportada para um mundo novo e fantástico. Quem se sai um pouco melhor é McCounaghey, que consegue entregar um Homem de Preto decente, despertando uma constante sensação de ameaça e repulsa em quem está assistindo.
Apesar de tantas coisas ruins no filme, um dos elementos da trama foi feito de forma divertida e competente: a ligação entre todas as obras de King faz sentido dentro da narrativa e vai empolgar os fãs do autor, que certamente ficarão buscando os diversos easter eggs escondidos em praticamente todas as cenas do longa.
Depois do final (ridículo) de A Torre Negra, é impossível não ficar com a sensação de que estamos diante de uma produção que tinha em mãos o potencial para se tornar uma grande franquia no cinema mas que acabou optando pelo caminho fácil e se tornou um projeto insosso, sem graça, sem vida e, o pior de tudo, sem nada a dizer.
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